segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Qual é o post de hoje?

O mundo virtual alimenta mais de 81,3 milhões de internautas brasileiros sedentos por informações que passam em média mais de 66 horas por mês na frente do monitor. Não é a toa que existem mais de 174 milhões de sites e a cada segundo um novo blog é criado. Informação, entretenimento,denuncias, opiniões e o embrião dos blogs, os diários pessoais, tudo na distancia de um "enter". nem Gutenberg ao produzir a prensa poderia imaginar o longo percurso até chegar o monitor, teclado e o mouse.

Este processo de cultura participativa chamado blog levou para nossas telas de computador histórias até então anonimas, diferentes e cheias de opinião.

E se o número de usuários de computador até 2012 vai chegar a 2 bilhões, nos perguntamos, afinal, qual é o post de hoje???

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Jornalismo alternativo e os movimentos sociais criados no Youtube

Num tom gritado, cheio de caras e bocas e com muita revolta Felipe Neto ressalta: Desde a época da ditadura a juventude brasileira se calou, toda a porra de dia a gente ouve noticia de corrupção e sabe o que a gente faz? Porra nenhuma! Mentira, a gente xinga no twitter (ironiza).

Com inserção na rede Youtube no início de 2010 um jovem que até então cumpria seu papel de ator fracassado passou a ganhar respeito e voz entre jovens. O uso desta ferramenta com o passar rápido do tempo deixou de ser amador superficial e apenas de entretenimento e veio a ser um espaço para denúncia, acidas opiniões e movimentação social, como o bom jornalismo alternativo mostrou e defendeu ser durante os anos.

Entretanto, o fato de Felipe não ter sido estudante de jornalismo, ou nunca ao menos ter pisado em uma redação, ter anotado frases de efeito em seu bloquinho inseparável, ou ter gravado a cena da sua vida com alguma criança fazendo arte ou senhora de idade surpreendendo jovens faz com que essa movimentação social via internet tire sua possibilidade de fazer jornalismo? A resposta, já discutida e mal quista centenas de vezes dentro de salas de aula sempre foi clara. Não!

O jornalismo tem suas raízes na rua, na linguagem social, na narração e compreensão do que foi dito feito, e claro, em algumas aldaciosas vezes, na opinião clara e sem medo de ser dita de determinados jornais. O jornalismo alternativo trouxe aos consumidores de informação uma nova possibilidade de ver determinado fato, em que meia dúzia de jornalistas cansados de falar como numa receita de bolo quem, quando, onde e porquê’s, preferiu inverter tudo que você costumava ler e escrever o novo.

Mas, trazer um tipo diferente de folha, uma diagramação mais simples com menos “figurinhas” e, relatar em saborosas linhas detalhes de coisas que até então nos passavam batidos é ser alternativo? É fazer um até defendido jornalismo, as novas mídias e seus atores, engenheiros, marketeiros fazem o mesmo, e melhor, de formas que nós, jornalistas de sala de aula, de redação e bloquinho rabiscado não fazemos, temos preguiça, medo, ou aquele falso desdém.

Com 1 dia de campanha por preço justo em produtos eletrônicos comprados no Brasil Felipe com seu vídeo protesto, opinativo, de alerta e, por que não jornalístico, conseguiu recrutar 213. 047 assinaturas (número que sobe drasticamente a cada minuto). Meio mais alternativo que este, impossível de existir, lidamos hoje com um público X que necessita de representantes e comunicadores que falem sua língua, que defendam seus interesses, e que transportem e decifrem informações até então confusas para estes telespectadores em algo viável e com impacto.

Durante o vídeo Felipe segue até padrões jornalísticos, para embasar suas críticas o autor do vídeo mostra a diferença dos preços encontrados no exterior e aqui no Brasil e, cita dados numéricos pesquisados sobre o governo do estado do Rio de Janeiro. Para mostrar que, imposto existe, está ai sendo retirado de nossas carteiras e nós, o público X que o ouvimos e nos calamos frente a isso por puro comodismo. Engolimos “carolhocentos” tipos de impostos todos os dias, como grita Felipe, e não nos damos conta.

A questão ganha cada dia mais interrogações e divide mais o mundo do jornalismo. O que Felipe Neto e outros blogueiros cansados de ver o que está acontecendo mundo afora fazem na internet é jornalismo? Aceitamos que o que eles falam e movimentam causa o impacto que nós estudantes acomodados em nossas cadeiras almofadadas nunca fariam ou, procuramos em teorias do jornalismo antigas algo que possamos usar para dizer que eles nunca farão um jornalismo melhor que o nosso, por puro recalque?

O site para assinar o manifesto é:

quarta-feira, 20 de abril de 2011

As horas não vistas de Ademir

Sempre o vi andando pela praça da cidade, por vezes, antes de conhecer sua história confesso que não dava nenhuma atenção e, talvez para ele fosse melhor que eu continuasse sem dar.

Thiago, um colega meu também da cidade, volta e meia narra uma nova história com Ademir. E quem é Ademir? Thiago, meu colega, explica de um jeito amoroso. "Tenho pena do Ademir e o que fazemos com ele. Um quase senhor, sempre tão sozinho pela rua, mesmo conhecendo todo mundo." Bem, talvez seja por isto a solidão, conhecer bem e suportar todo mundo.

Ademir é um homem negro com 55 anos, morador de um beirro simples de Santo Amaro da Imperatriz. Nunca casou, nunca teve filhos e mora com sua mãe, dona Rosa. Mas não é sua vida, sua triste ou feliz tragetória que conta nesta história e torna Ademir tão especial.

Seu ponto principal, motivo de toda a fama pela pequena cidade é delicado, simples e talvez, até comprado no camelô. Ademir usa um relógio de pulso!

- Ademir, que horas tem? Poxa Ademir, o que custa dizer as horas?
Ouvi hoje pela manhã sendo gritado pela rua por um molequinho que saiu a gargalhar. Em seguida me aproximo, sei que o menino se chama Alex e que repete a brincadeira toda semana.

"A parte mais engraçada é ver o jeito que ele gica bravo, fala umas coisas que ninguém entende. Resmunga tanto que todo mundo por perto ri, talvez se ele não desse bola não teria tanta graça perguntar as horas pra ele". Me disse Alex já cheio de pressa indo embora.

Tem uns dois anos que até comunidade na rede Orkut Ademir ganhou. 380 pessoas confessam em bom som: Perguntei as horas pro Ademir! A brincadeira já se tornou tradição, cultura na cidade. Jogue Santo Amaro no Wikipedia e lá estará Ademir, ande pela cidade meio dia e lá verá ele andando, veja um pequeno grupo de crianças gargalhando e lá estará provavelmente ele.

Nesse misto de sentimentos e ações, uma coisa é certa, ninguém que eu tenha conversado,
ou que você pergunte na rua, acha bacana a brincadeira feita com Ademir, é maldade, preconceito, entretanto, todos que acham isto, infelizmente, ou felizmente para nossa história, já perguntaram as horas para o Ademir. Minha amiga Ana, também moradora de Santo Amaro me disse certo dia que quando o Ademir quer ser sério, ele é. Que semanalmente encontra sua avó e ele conversando no portão sobre o que acham certo e errado na cidade, e pelo que ouve fica surpresa de, um dia ele gritar com todos no meio da rua, e no outro, falar sobre o novo desvio feito em tal rua que atrapalhará o trânsito em horário de pico.

O que talvez possa lhe dar todo sentido a esta história, e pensar que o povo daqui não é tão perseguidor sem motivos no mínimo engraçados minha avó, dona Natália, pode te explicar melhor. Dia desses ela me falou que soube numa conversa com a mãe e Ademir que hoje ele nem reclama mais em casa da brincadeira e que quando esquece o relógio volta correndo em casa para colocar.

Para nós, eu e minha avó, quem ri dessa história é ele, que usa o relógio sem saber ver as horas só pela fama.


sábado, 19 de fevereiro de 2011

Umas palavras sinceras num sábado de noite.

Confesso, uma criança de 8 anos poderia ter mais coragem que eu neste momento.

Falei a todos que poderia lidar bem com a situação, deixei meus pais orgulhosos e, embora visse o pé atrás que meu pai mantinha, eu sabia enganar bem os dois.

Para os meus amigos eu sou só mais uma que acaba tendo que fazer isto mais uma vez, para uns confesso que devo ser vista como careta, não aproveitar uma chance dessas para abusar da bebida, diferentes parceiros, uma loucura na piscina.

Mas, gosto de ser assim. Ou melhor, gosto de deixar claro a todos que de nada isto me incomoda, me atrevo a dizer que, até gosto, acho relaxante, uma experiência renovadora. Mas oras, a quem engano? Não se passaram nem 2 horas que a noite começou a chegar e a tormenta já me acompanha. Fico aflita, bem que meus pais ou uma boa companhia poderia voltar. Mas foi para isto que me propus, foi para exatamente isto que disse que não teria medos. Então, cabe apenas a mim mesma dar um jeito nesta confusão.

Conforme a noite vai chegando às cortinas se fecham, fico num canto escolhido como mais seguro e até, veja só, digito algumas palavras meio sem nexo para tentar, nada mais que uma tentativa barata, ser alguém mais confiante, sem medos. Quem sabe umas lutas ou uma música meio deprê logo mais me faça sentir menos calafrios.

Confundo-me rotineiramente com qualquer barulho que surge do lado de fora, aumento o volume de tudo, talvez me faça não ouvir as pessoas na rua, o vento que bate no metal, ou seja o que for aquilo que me fez por uns segundos não respirar. Por que ninguém ainda apareceu? Será que vai ser isso mesmo, eu e meus medos por toda a noite? E eu que me gabava a pouco pelos meus vinte e tantos anos de maturidade.

Ok, a noite lá fora já chegou, passaram-se 20 minutos desde que comecei a confessar estas confusas palavras e, preciso me assumir adulta, preciso me assumir forte, preciso assumir... tenho medo de dormir sozinha em casa.




segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Uma breve apresentação e fim.

A história de hoje circula por diversos arredores de São Paulo. Trata-se de um dia qualquer, na vida de pessoas que até então não fazem diferença alguma em nossas vidas, e bem, quem sabe, talvez não venham a fazer no futuro também.

Dona Lurdinha é moradora do bairro Jardins desde que se casou com o Doutor Lineu, hoje já falecido. Lurdinha tinha um dia típico de uma senhora que já beirava seus 75 anos, acordara sempre às 8 da manhã para sua caminhada lenta, parando sempre no Crepe de Munic para um café da manhã com as amigas Norma e Luna. Saia de lá por volta das 10 e meia da manhã, não havia pressa nunca, sabia que nada de inovador a esperava pelo restante do dia. Em casa regava as plantas que, era uma das duas tarefas proibidas as empregadas.

- Criadas servem para lavar, ensaboar, e tirar o pó. Não é possível confiar uma refeição parisiense nas mãos de uma tal da Brasilândia e, muito menos, os cuidados de minhas plantas tão exóticas a “essazinhas” que devem achar que violeta é uma flor fina e que samambaia fique linda no canto da sala. Não não, não mesmo.

Seu dia não passava disto: caminhadas lentas, refeições em bons locais e, cuidados com as plantas.

Longe dali, do lado baixo da cidade, morava Marta. 26 anos, terminando o cursinho de enfermagem bancado à custa de um emprego em uma loja de departamentos do shopping. O dia de Marta tinha início umas 2 horas antes do de Lurdinha, 6 em ponto o relógio despertava com aquela música infernal que sempre lhe dava sustos, um dia ainda iria na loja de sua tia trocar, mas sempre esquecia. Tomava um rápido banho, um copo de leite enquanto trocava de roupa, verificava se o cartão de desconto do ônibus e o de alimentação estavam na carteira, e saia ajeitando a alça do sutiã pela rua. Marta não sabia, mas, seu Jeremias da padaria sempre esperava a moça carnuda passar e, ajeitar o sutiã que ficava atrapalhando a fogosa moça.

- Ônibus cheio, que novidade! Lá vou eu mais um dia andar toda apertada nessa bagaça cheia de homem tarado. Não que eu não goste, de vez em quando tem um gatinho, já até passei meu telefone pra um, mas, só me rendeu uma noite de forró e uns dedos pisados. Se não sabe dançar, não convida, oras!

Daquele ônibus apertado Marta ia para o shopping, seu turno era das 9 até as 5 da tarde, mas era ótimo, via gente bonita, tinha as melhores amigas do mundo e todas do mesmo departamento, o que a incomodava mesmo eram as 2 horas de ônibus entre filas e apertos.

Enquanto Lurdinha caminhava lentamente e Marta ajeitava as coisas para a loja abrir, Julinha estava em seu décimo sono. Não que dormisse demais, apenas saia do computador muito tarde e, em conseqüência, acordava tarde também, mas sabia que se precisasse acordar cedo conseguiria. Pelo menos era essa a desculpa dada aos pais todos os dias por volta do meio dia quando acordava. Julinha havia a pouco se formado no ensino médio, típica menina de cursinho pré-vestibular, acordava meio dia, hoje almoçava ovo frito escondido em casa, amanhã, comida japonesa com as amigas no shopping. Passava a tarde no cursinho, hoje anotava algumas equações e musiquinhas de regras, amanhã, ouvia o novo hit da Brit no mp7, 8, 9 que acabara de ganhar.

- Não agüento mais, é tanta pressão, pais reclamando sempre, logo de mim, que estudo tanto, que só quero trazer orgulho. Não é porque a vida deles foi difícil e todo aquele blá blá blá que a minha precisa ser igual, ué. Algumas pessoas nascem pra viver bem, eu acho!

Certo dia, o famoso dia qualquer, Lurdinha resolvera almoçar no shopping que ficava a 2 quadras de sua casa, já havia regado as plantas e, bem, sabemos todos nós que as criadas não nasceram pra uma boa culinária. O tal dia qualquer também existiu para Marta, que por trabalhar no mesmo shopping que Lurdinha morava próxima também iria por ali almoçar, afinal, o cartão de vale refeição estava cheio, e sabemos o quanto é bacana almoçar vendo gente bonita pelo shopping. Já Julinha havia decidido que hoje iria fazer a social ‘cazamiga’, nada de ovos fritos, hoje, o bendito dia qualquer, também estava a seu favor, e nada que uma caroninha de pai não resolvesse a situação do “Almoço japonês” e boas roupas.

E aqui estamos nós, o famoso dia qualquer, o dia em que zona Leste, Sul e Oeste resolveram almoçar no shopping. Ver gente bonita, fazer a social com Japanese food e, claro, comer algo digno que não seja feito por criadas da Brasilândia.

Aqui estão elas, num famoso shopping de São Paulo, sempre muito elogiado por sua limpeza e beleza interior.

Aqui estamos nós.

Eu que te fiz ler até aqui para ver um vídeo bobo de youtube, e você, que vai terminar de ler esta postagem me chamando de tudo que é coisa ruim, achando que não tenho competência para terminar uma história que até então só te serviu para sentir cansaço nas vistas.

(Se reparar bem vai encontrar minhas 3 personagens. Lá no fundo isso até que tem um sentido.)

Na verdade, só queria dizer desde o início que elas não estavam sós.

E sim, é só isso mesmo! Acabou aqui, eu tinha avisado no título que seria apenas isso, não sei por que esperou mais.

(Tudo bem, sei que você não vai voltar nunca mais. Eu também não voltaria!)

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Da simpatia para a tecnologia, o vício de Branca

Tudo começou aos 14 anos. Uma mãe fumante que não acendia o próprio cigarro e pedia para a filha mais nova por fogo em seu vício. Maria José, Branca para os mais chegados, acendia o vício da mãe no fogão de lenha que ficava escondido na cozinha de chão batido. Como benefício da ajuda, a adolescente ganhava a bituca do cigarro da mãe e ali naqueles poucos restos de tabaco se dava início a uma longa história de amor e ódio pelo vício.

Dessa história de início tímido e inocente, as coisas passaram a ficar maiores. Dois anos depois, a mãe de Branca, dona Emília, decidiu largar o cigarro. Dentro de casa cigarro não podia mais entrar. A jovem e viciada Branca teve que usar a criatividade. "Se todo mundo que fuma deixar um pouco, alguém precisa fumar o que sobrou". E foi nesse vício, misturado com a inocência de uma adolescente em seus 16 anos, que a brincadeira de caça aos toquinhos de cigarro alheio começou. Foram anos e anos andando pelas ruas e reacendendo cigarros do chão. Nesse meio tempo, Branca se casou. Olha que injustiça do destino: casou-se com um marido que cigarro não queria ver. E lá continuava Branca, um toco de lá, outro mais adiante.. Mas tudo muito bem organizado, o vício dela é regrado.

Com Branca não existem exageros. São três cigarros por dia bem divididos e disso não passa. Para largar os malditos três “cigarrinhos” muita coisa já fez. Simpatias não faltaram. Ela já jogou maço de cigarros na água e não olhou para trás, deixou cigarro dentro de um copo com água e, depois de um dia inteiro, lá se via Branca tomando a água do copo cinzento. Simpatias à parte, Branca também confia na tecnologia. Entre um copo de cerveja e outro, conta-me sobre uma encomenda que está por vir: o cigarro eletrônico. Com os mesmos sabores e saindo fumaça como qualquer outro cigarro, o eletrônico serve de substituto para quem deseja largar o vício, mas sem a nicotina e o famoso cheiro ruim. Ela diz que é a última tentativa. A esperança agora está nos Correios, que já está com a encomenda atrasada.