quinta-feira, 28 de abril de 2011

Jornalismo alternativo e os movimentos sociais criados no Youtube

Num tom gritado, cheio de caras e bocas e com muita revolta Felipe Neto ressalta: Desde a época da ditadura a juventude brasileira se calou, toda a porra de dia a gente ouve noticia de corrupção e sabe o que a gente faz? Porra nenhuma! Mentira, a gente xinga no twitter (ironiza).

Com inserção na rede Youtube no início de 2010 um jovem que até então cumpria seu papel de ator fracassado passou a ganhar respeito e voz entre jovens. O uso desta ferramenta com o passar rápido do tempo deixou de ser amador superficial e apenas de entretenimento e veio a ser um espaço para denúncia, acidas opiniões e movimentação social, como o bom jornalismo alternativo mostrou e defendeu ser durante os anos.

Entretanto, o fato de Felipe não ter sido estudante de jornalismo, ou nunca ao menos ter pisado em uma redação, ter anotado frases de efeito em seu bloquinho inseparável, ou ter gravado a cena da sua vida com alguma criança fazendo arte ou senhora de idade surpreendendo jovens faz com que essa movimentação social via internet tire sua possibilidade de fazer jornalismo? A resposta, já discutida e mal quista centenas de vezes dentro de salas de aula sempre foi clara. Não!

O jornalismo tem suas raízes na rua, na linguagem social, na narração e compreensão do que foi dito feito, e claro, em algumas aldaciosas vezes, na opinião clara e sem medo de ser dita de determinados jornais. O jornalismo alternativo trouxe aos consumidores de informação uma nova possibilidade de ver determinado fato, em que meia dúzia de jornalistas cansados de falar como numa receita de bolo quem, quando, onde e porquê’s, preferiu inverter tudo que você costumava ler e escrever o novo.

Mas, trazer um tipo diferente de folha, uma diagramação mais simples com menos “figurinhas” e, relatar em saborosas linhas detalhes de coisas que até então nos passavam batidos é ser alternativo? É fazer um até defendido jornalismo, as novas mídias e seus atores, engenheiros, marketeiros fazem o mesmo, e melhor, de formas que nós, jornalistas de sala de aula, de redação e bloquinho rabiscado não fazemos, temos preguiça, medo, ou aquele falso desdém.

Com 1 dia de campanha por preço justo em produtos eletrônicos comprados no Brasil Felipe com seu vídeo protesto, opinativo, de alerta e, por que não jornalístico, conseguiu recrutar 213. 047 assinaturas (número que sobe drasticamente a cada minuto). Meio mais alternativo que este, impossível de existir, lidamos hoje com um público X que necessita de representantes e comunicadores que falem sua língua, que defendam seus interesses, e que transportem e decifrem informações até então confusas para estes telespectadores em algo viável e com impacto.

Durante o vídeo Felipe segue até padrões jornalísticos, para embasar suas críticas o autor do vídeo mostra a diferença dos preços encontrados no exterior e aqui no Brasil e, cita dados numéricos pesquisados sobre o governo do estado do Rio de Janeiro. Para mostrar que, imposto existe, está ai sendo retirado de nossas carteiras e nós, o público X que o ouvimos e nos calamos frente a isso por puro comodismo. Engolimos “carolhocentos” tipos de impostos todos os dias, como grita Felipe, e não nos damos conta.

A questão ganha cada dia mais interrogações e divide mais o mundo do jornalismo. O que Felipe Neto e outros blogueiros cansados de ver o que está acontecendo mundo afora fazem na internet é jornalismo? Aceitamos que o que eles falam e movimentam causa o impacto que nós estudantes acomodados em nossas cadeiras almofadadas nunca fariam ou, procuramos em teorias do jornalismo antigas algo que possamos usar para dizer que eles nunca farão um jornalismo melhor que o nosso, por puro recalque?

O site para assinar o manifesto é:

Um comentário:

Aubergine disse...

Faz tempo que canudo na mão deixou de ser sinal de superioridade ou entendimento de causa! O jornalismo sempre esteve até o último fio de cabelo envolvido nos interesses das pessoas... Questionar é importante para todos na vida pessoal, e por que não na vida profissional? Mudar o mundo para melhor é dever de todos na minha visão, e isso pode se dar das mais diversas formas...