Falei a todos que poderia lidar bem com a situação, deixei meus pais orgulhosos e, embora visse o pé atrás que meu pai mantinha, eu sabia enganar bem os dois.
Para os meus amigos eu sou só mais uma que acaba tendo que fazer isto mais uma vez, para uns confesso que devo ser vista como careta, não aproveitar uma chance dessas para abusar da bebida, diferentes parceiros, uma loucura na piscina.
Mas, gosto de ser assim. Ou melhor, gosto de deixar claro a todos que de nada isto me incomoda, me atrevo a dizer que, até gosto, acho relaxante, uma experiência renovadora. Mas oras, a quem engano? Não se passaram nem 2 horas que a noite começou a chegar e a tormenta já me acompanha. Fico aflita, bem que meus pais ou uma boa companhia poderia voltar. Mas foi para isto que me propus, foi para exatamente isto que disse que não teria medos. Então, cabe apenas a mim mesma dar um jeito nesta confusão.
Conforme a noite vai chegando às cortinas se fecham, fico num canto escolhido como mais seguro e até, veja só, digito algumas palavras meio sem nexo para tentar, nada mais que uma tentativa barata, ser alguém mais confiante, sem medos. Quem sabe umas lutas ou uma música meio deprê logo mais me faça sentir menos calafrios.
Confundo-me rotineiramente com qualquer barulho que surge do lado de fora, aumento o volume de tudo, talvez me faça não ouvir as pessoas na rua, o vento que bate no metal, ou seja o que for aquilo que me fez por uns segundos não respirar. Por que ninguém ainda apareceu? Será que vai ser isso mesmo, eu e meus medos por toda a noite? E eu que me gabava a pouco pelos meus vinte e tantos anos de maturidade.
Ok, a noite lá fora já chegou, passaram-se 20 minutos desde que comecei a confessar estas confusas palavras e, preciso me assumir adulta, preciso me assumir forte, preciso assumir... tenho medo de dormir sozinha em casa.

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