
O moço tinha pele clara, olhos de rei e cabelo de anjo, mostrava uma nobreza no sangue só de se olhar. Eu observava a uns cinqüenta metros de distância, mais precisamente do outro lado da rua, atrás do balcão.
Ele como todo homem nobre se comunicava dominante com dois ou três anciãos que dividiam uma mesa improvisada no meio da grande obra aqui ao lado. Eu que estava atrás do balcão coberta por bugigangas distraia minhas olheiras cansadas com leituras vagas sobre antropólogos físicos e culturais, dali nada de concreto saia, tantas palavras bem formadas unidas, mas me gasto com puras teorias. Vivem sem singular e plural demais não enfatiza. Entre meus paleontólogos e lingüistas o que imperava mesmo eram os sussurros gritados do outro lado da rua, - Aaa, eeei, rááááá, tiravam-me definitivamente do mundo dos homens que buscavam entender o mundo, ali, quem nada entendia era eu. Sussurros altos, coisa de ensurdecer surdo-mudo. Por falar em mudo, percebi quando estava atrás do balcão que muda me transformo na solidão. E o carinha ali da frente que mudo nasceu com expressões de rei e sussurros na sua utopia ligados no auto-falante transformou-se no comunicador chefe. Falante para os homens da mesa, para a moça do balcão e para antropólogos chatos que me ensinam menos nos livros do que o mudo falastrão.
Um comentário:
Juro que um dia quero escrever igual você :)
fazia tempo que não passava por aqui, mas a saudade sempre bate, sabe como é né?!
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