terça-feira, 17 de novembro de 2009

As 2.800 espécies da comunicação.

Ok, lá vai a bomba: Eu não fui na semana da comunicação!

Eu não iria contar, não que eu fosse mentir, apenas ficaria em silêncio no meio do grupo quando a pergunta fosse feita. Mas já que me foi pedido um texto sobre a semana da comunicação, cuja semaninha maldita que eu não fui, me senti meio constrangida e sem imaginação suficiente para inventar gigantesca desculpa.

Então vamos aos verdadeiros fatos, o problema é que meu guardarroupa estava bagunçado, então tirei a semana de palestras e desabafos de antigos alunos da minha querida universidade para dar um jeito no recanto dos cupins que guardo minhas coisas.

Soube que segunda-feira haveria uma palestra sobre mídias e linguagens, até achei que poderia ser interessante, de grande utilidade para alguém que planeja trabalhar com mídia e junto com a coisa toda, as linguagens. Todavia, o meu guardarroupa que hoje escrevo com 2 “R’s” me deixou entretida demais no quesito linguagem, então deixei este dia para entende-lo e assim, decifra-lo (ai entra a poesia das mídias, entende?).

Seguindo a agenda semanal me deparei com pesquisa em comunicação na terça-feira. Até pensei levemente em ir ao campus e ver o que seria isso, porém, a linguagem que acontecera ontem me deixou tão estupefata com tamanha bagunça e desordem que resolvi fazer a pesquisa ali mesmo. Analisei todas as classes de bichos, insetos, por falar nisso, sabia que existem mais de 2.800 espécies de cupins? Pois é, fato muito relevante que me preocupou ao ponto de não aceitar que meu guardarroupa continuasse poluindo minhas blusinhas do jeito que houvera feito até hoje, por isso a quarta –feira foi dedicada as roupas, 2.800 cupins e etc.

Quinta-feira o assunto era o caminho da comunicação. Pra onde ela iria, rumos a tomar, medos com salários cada vez mais baixos, dia-a-dia de um jornalista, enfim, aquela famosa mesa redonda que acontece em todas as semanas de comunicação, mas que você sempre vai e sai de lá com a mesma cara de pastel. Então, eu que hoje me encontro na fase mais esquisita da faculdade, aquela que você já fez 2 anos e se acha o maioral, porém, todavia, contudo, sabe que ainda faltam 2 anos, o que te torna um nada, um qualquer, que ainda tem muito, mas muito mesmo para aprender, resolvi ficar em casa também. Fiquei naquele vou-não-vou por algumas horas, mas todos nós que entramos no meio do jornalismo já temos uma clara noção de que trabalharemos muito e ganharemos pouco, que ouviremos demais e falaremos regradamente, e que no fim tudo são rosas, afinal, amamos nossa profissão. Por este fato de já ter toda a conversa de 3 horas na cabeça e aqueles 2.800 tipos de cupins no guardarroupa resolvi ficar, algo bem justo até.

Por fim trago meu principal álibi para minha semana de caça cupins e faltas justificáveis na semana da comunicação. Soube que sexta – feira lidaria com a conclusão de uma semana de maluquices apresentadas pelo professor Daniel Izidoro, uma espécie de feira de ciências no mundo hipermidiático. O fato me fez lembrar dos 2.800 cupins que me enlouqueceram tanto essa semana na tentativa de comunicação “mulher – inseto” que de loucura eu já estava farta. Então, preferi vestir meu pijama limpo e sem nenhum rastro de inseto, e fazer esta analise ilusória. Assim, livro-me dos cupins, e de futuros constrangimentos na hora da tão esperada pergunta: “Quem aqui foi na semana da comunicação?”.

texto bobo feito para jornalismo impresso, as vezes é gostoso falar totalmente o inverso do esperado.

Eu que fiz o desenho, sou mágica.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Os ponteiros no olhar

Exatamente 1 hora, um pouco mais talvez em horário de pico, é o tempo que levo para sair da zona rural até a ilha, ponto final.

O sol que ainda brilhava vai sumindo, a falta dele me traz a memória que a noite é fria, mórbida. Noto pelo número de casacos que vai surgindo das bolsas, uns meio amontoados outros bem passados, alguns meio tímidos, pouco pano, afinal para que tanto?

Numa sequencia como se estivéssemos num musical as janelas vão se fechando, uma atitude até que normal, afinal o vento já seria inimigo fatal.

Ok, fatal nem tanto, afinal o moço da minha frente não participou do pequeno musical. Infeliz, que calor é esse? Não vê que de atchins já canta meu nariz?

Encolho-me feito criança com medo, dou tossidas de desespero. Mas nada serve de sinal para o fulaninho praieiro.

No segundo em que meu MP4 para noto que ali ninguém fala, é um silencio, situação enigmática. Assassinaram as gralhas? Cadê as risadas, fofocas de balada, reclamação da empregada? Nada! Conversar para que? Antes só do que mal acompanhada!

Volta música, mas noto que o vento que me incomodava para. Bondade do fulaninho é que não é, vi em seus olhos de relance o prazer que ele quer. Ó céus, é pior. A bendita fila que nessas horas de pico sempre dá. Junto dela minha raiva também vem, minha só não, as diversas cabeças curiosas subindo a olhar para frente provam que não sou a única que quer reclamar.

Ouço um “– Vai meu filho, tem medo de passar?” lá de trás. Eu que não fui, mas apoio o rapaz, motorista lento, não sabe o que faz.

Depois da curva que faz todos no banco segurar percebi que estou a rimar, acho que sou a única que não está a estudar ou roncar. Pelo menos pude todos observar, e falar, e falar, falar.

Patavinas, quando lembro de tudo isso anotar, noto que eu acabei de chegar, saco, e agora como vou lembrar? Talvez eu deva rimar, fica mais fácil de brincar, anotar, recordar, te falar.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

O retrato das cores

- Quando tu se olhas no retrato vê o que?

- Eu? Eu vejo um turbilhão de cores, um turbilhão de jeitos, um turbilhão de vontades, o cúmulo de cima a baixo.

Um dia num dos encontros com uma senhorinha simpática, cheia de “como você se sente sobre isso?”, que me ouvia chorar e lamentar dramas exagerados (que mais pareciam pitis de velha que quer atenção), e por fim recebia seus dobrões contadinhos pelas horas de atenção dada, como se cada palavra tivesse seu valor, ouvi uma das perguntas que mais me incomodaram até os dias de hoje.

- Por que você ainda se comporta como uma criança se não é uma a uns bons anos?

O fato de nunca mais ter aparecido em seu consultório deve ter mostrado a senhorinha que eu agia assim por simplesmente ser assim. É questão de natureza, ou você é ou não é.

O dia de hoje me fez lembrar aquele de cabo a rabo, e ai junto vem toda uma teoria.

O dia de hoje começou lindo, sol quentinho, lembrei do verão (que quando acontece eu odeio, mas a saudade me faz gostar), as 9 minha mãe saiu, junto dela meu gato surge da sua caminha quente e o sol pegou carona com os dois, foi embora, até agora não o vi.

Assim como a mudança repentina do dia, eu vejo meu retrato, minha infância e velhice aos 19 anos. Olhei pra mim logo pela tarde, só, em casa como todos os dias, e ali estava a mesma Fran de 15,10,5 anos atrás. Pijama colorido, pantufas de patas de monstro, cama desfeita, meu gato ao lado como de costume, uns pedaços de papel virando moldes de desenhos animados que logo devem virar algum aplique para roupa. Vi uma Fran que sempre esteve ali, que não muda, que fica criando, criando, sonhando, que vive no seu tempo, sem pensar no certo, no correto, apenas no retrato que o tempo não muda, vive em sintonia absoluta.

O dia de hoje termina assim, sozinha, escrevendo e rindo de besteirinhas. A infância na senhorinha, os sonhos de criar, criar, brincar de falar. A alma evolui, mas fica a menina.


(Voltando a ativa depois de um longo inverno, a vida tá linda, escrevendo mais, tudo legal.

- ou não!)

terça-feira, 28 de abril de 2009

Jornalistando!

Dia de sol quente em floripa, a vida ta corrida, mas e daí? Fran, Carol e Fê param as suas respectivas vidinhas por uma tarde e o corre-corre ganha maior sentido. De dentro do carro vejo as casas passarem, entra rua, vira esquina, enfim mais um destino, mais histórias bem vindas a uma nova reportagem.


Ouvir a história dele, perguntar o porquê daquele, pedir pro cara tímido repetir. Perdão, te ouvi, mas o PLAY esqueci.


Com tudo feito, já no fim da tarde que passara entre skates, saltos e tombos tomo minha cerveja e agradeço a graça de mais uma história lembrada... Ta ai a graça que todos procuram em se tornar jornalista, sua vida não se limita ao singular, você vê no fim do dia que ele é mais um entre tantos para gravar, narrar, crônicar.. guardar.


domingo, 26 de abril de 2009

A minha TV tá louca!

Ando tão sem tempo que nem pensar e conseguir escrever tá se tornando possivel.
Vai ai o projeto pra disciplina de áudio que acabei de fazer, exclusividade hein.

É um projeto de áudio, logo as imagens ficaram pra segundo plano, então ouça e aguce seus ouvidos.



Até a próxima.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Com todo o respeito. MORRA!

Quer estragar meu dia? Se atrase!


Se tem uma coisa que eu consigo me superar no grau de chatices típicas que ninguém suporta da Fran é quando alguém me faz esperar.


Sempre fui adepta ao respeito por cada cidadão sem distinguir quem quer que você seja, desde um animal idiota e estúpido (lê-se: você) até um animal irracional. Logo, desejo como boa garota mesquinha que este meigo ato seja correspondido, assim todos terão seus dias de acordo com o que programou logo pela manhã (sim, não consigo sair de casa sem programar as horas para cada atividade, chamo isso de “meu jeito peculiar”, já você e o resto da humanidade assinalaria esse tipo de atividade no quadradinho “chatices típicas que ninguém suporta” to ligada).


Confesso tranquilamente que meus defeitos são diversos, sou estúpida, acho que sou sua mãe e quero mandar em você, não suporto brincadeiras de mau gosto e por ai vai a imensa listinha, mas fazer alguém esperar é maldade demais para você que se considera humano. É mesquinho, cruel, o ato de maior falta de respeito que alguém no mundo poderia fazer. Aposto que nem o rato da esquina me deixaria esperando caso tivéssemos marcado um programinha, então porque logo você, pessoinha besta, se sente tão superior a minha pessoa ou a qualquer outra que venha a sofrer tamanha agressão, achando que possa fazer este tipo de crueldade.


Faz alguns meses que essa tecla anda batendo demais na minha cabeça, e hoje ela bateu ainda mais forte logo após esperar por 3 horas no consultório da dentista que com sua incrível simpatia não fizera questão nem de deixar o celular ligado, simplesmente sumiu, deixando eu e mais 5 pacientes sentadas, na mais vergonhosa e irritante arte de esperar. Espero (sem trocadilhos) que maldades como essas voltem para cada um que já fez outrem de mané, considerando sua vida mais importante como se o mundo gira-se ao seu redor.


Falta respeito, falta consideração, falta juízo, falta responsabilidade, falta mais humanidade nessa tal raça de humanos.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Sem idéia para um bom titulo.

Um viva a falta do que falar!


E quando se passam mil coisas na sua cabeça, mas nenhuma delas merece transforma-se numa frase, quem dirá um texto? O que a pobre menina, que aqui chora, pode fazer?


Quero escrever, minha cabeça bomba de idéias, me pressiono para sair 2 parágrafos ao menos, algo que possa lhe distrair e e fazer retornar, quem sabe, semana que vem. Mas nada me interessa de fato, nada que eu ache que faria rir um palhaço, que de tanto contar piadas repetidas ri forçado.


Tento usar rimas, para ludibriar os olhos e ver se te animas. Mas nem as rimas colaboram, e termino sem saber quando dar o ponto final, e este ridículo velório.


Velório de uma cabeça que até ontem contava histórias, inventadas ou não, pelo menos as contava, e agora reclama amargurada, de uma cabeça abobalhada, que ri da minha cara de paspalha, boba, velha, injustiçada.


E terminando essa prosa vou saindo de canto, com vergonha isso eu garanto, espero melhorar, quem sabe se ao parar de reclamar até coisas novas possam me encantar, e assim consiga te fazer retornar, a mais um blog que por fim só tem que rimar.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Que arte é essa? Graffitti.

Ai está meu primeiro documentário do ano, embora uma grande parte dos meus amigos já tenham sido obrigados a ver (não custa nada postar aqui), principalmente porque ele é um dos motivos pelo qual sumi do blog, ando sem uma gota de imaginação, nem mesmo que você a procure e ao encontrar um leve restigio o puxe incessantemente, ele te fará desistir, até eu já estou desistindo, quem sabe mês que vem. Bom, a hora que ela resolver aparecer, aqui será seu lugar de concretização garantido.


Esse documentário foi produzido, roteirisado, editado, e tudo que causa um grande cansaço por Carolina Pacheco, Fernanda keiko e Francielle dos Santos (rá) para o Laboratório de produções audiovisuais da Unisul.




Espero que gostem, pois foi um dos trabalhos mais gratificantes feitos até hoje.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Arte, graffitti e rock and roll.


O dia em que o blog voltou (ou não).

Não vou dizer que obedecendo a pedidos voltei com o blog porque seria mentira, afinal nem recebi tantos pedidos assim e muito menos posso afirmar com todas as minhas forças de que o blog voltou à vida (se é que um dia ele a teve).

O blog andou meio abandonado porque a vida anda sofrida demais aqui pros lados do sul, a roça ta grande e preciso trabalhar minhas 12 horas por dia pra ganhar minhas moedinhas e alimentar meus 15 filhos (mentira). O negócio é que meu estágio começou, junto dele veio a facul os 7467357554654 xerox que me desnutrem e os documentários mais loucos sendo produzidos na velocidade da luz, logo me falta tempo/cérebro pra conseguir pensar na vida ou simplesmente xingá-la aqui.

Nesta próxima semana posterei os dois primeiros documentários feitos nesse ano, espero que gostem o primeiro será sobre arte, mais especificadamente arte de rua – graffitti – uma tentativa de pensarmos sobre outros ângulos sobre a famosa arte de elite que nos é imposta, afinal quem define o que é arte e o que não é para colocá-la dentro de um ateliê? Por falar em arte, fica ai a pergunta, afinal a discução é a melhor forma para se chegar a uma conclusão (ou não).

Como dizia Marcel Duchamp, a arte nunca esteve tão próxima da vida.
(Na foto: Izak do Chile, grafiteiro. Eu na câmera e Carol na reportagem. Documentário "Que arte é essa?")

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Preserve sua caixinha.


Abri minha caixinha que fica guardada numa gaveta pequena e deixei a seção nostalgia entrar. Como tanta vida, história, lembrança consegue ali, num lugar pequenino se guardar? Entradas de cinema com amigos, paixões. Cartas de amigos distantes, Goiás, São Paulo, Mato grosso, sabe se lá como fui os encontrar. A calcinha com o nome do Fabim bordada, presente de aniversário de 18 anos, lembro-me como se fosse hoje as risadas que dei ao saber de sua coragem de cumprir a tal promessa... A ursa gigante de pelúcia que fica em minha cama, que de tão linda dei o seu nome, Suh! O brinco que a Mara deu aos18, o CD que a Klah deu aos 17, a primeira carta do Pedro aos 15, as fotos com comentários de saudade atrás, as fitinhas de noites inesquecíveis, enfim, todo pedaço de uma vida ali. Pedaços que trazem saudades, que trazem rancor, que merecem gargalhadas repetidas ou lágrimas contidas, pedaços de uma vida que sem vocês não existiria, seria vazia.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Festa no ap.



Socorro, minha casa está cheia, e quem fica sem casa sou eu.


Hoje mamãe resolveu dar uma festinha para as amigas do trabalho. Ela, agora no período de férias foi convidada para fazer a festa em sua própria casa para as amigas (que só trouxeram a cerveja, muita cerveja, diga-se de passagem) e a comida sobrou para eu (mucama) e minha mãe fazer durante o dia todo.


São 22h17min da noite e minha cabeça já não aguenta mais (esse povo quanto mais velho, mais bebe e quanto mais bebe, mais tempo aguenta acordado, e quanto mais tempo acordado, mais fala alto), nessas 3 horas que o pessoal está aqui, já falaram do meu cabelo, tatuagens, faculdade, roupa e o mais importante, por que, que eu sempre estou de tênis e não de salto alto? É sempre assim, a festa é de mamãe e o assunto é o monstrinho que ela criou em casa e chama de filha. Mas ignorai-vos, eles não sabem o que falam (odeio gente quadrada, mesmo), e eu bem que gosto de virar uma das atrações.


Por falar em idade, descubro que o problema não são somente os adultos, ao procurar a pureza da resposta das crianças, escuto em bom som um “seu idiota, vai tomar no cu”. Três pirralhos, com cerca de 6/8 anos, gritando, brigando, mentindo, reclamando e ao mandá-los parar, levo uma pedrada (na verdade era só uma pedrinha, mas o que vale é a intenção do animalsinho doméstico). Socorro, alguém se esqueceu de aprender o sentido da palavra EDUCAÇÃO? Que tal todos nós irmos para um zoológico de vez e aprender um pouco de obediência com os seres "irracionais"? Talvez até saímos de lá aprendendo a não jogar lixo no chão (sim, tive que catar o lixo no chão pelos cantos de casa antes de dormir, lá pelas 4 da madrugada). Não sei se fico brava com a criança, ou a mãe, que boa coisa também não deve ser.


Enfim, festinha é sempre aquela delicia mesmo, gritos, risos, copos quebrados, e a Fran com raiva, afinal, sabe que ninguém vai lembrar de arrumar tudo, simplesmente se vão.


Fico por aqui, não consigo construir uma frase com essa gritaria toda, bem feito pra mim, tenho cerveja em casa, comida, e meus pais bebados, e fico aqui, sentada no computador fazendo minhas queixas. Acho que entre as crianças atiradoras de pedra, e as velhas bêbadas, prefiro ficar no bloco do eu sozinho, sentada bebendo, esperando a hora de dormir. Sem pedras, tomadas no cu, e essas coisas que acontecem em festinhas caseiras, só tiro dessa noite a lembrança de que o maior defeito das crianças, além de não beberem o bastante, é que quase sempre estão acompanhadas por adultos.


[cada dia que passa escrevo pior, socorro .-.]


segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Tu penetra, e eu vejo estrelinhas.


Nunca gostei do meu nariz.


Francielle, 19 anos, catarinense, mulher, Pi Pi Pi Pi... Apita o rastreador de seres que detestam, falam mal (da sua e de outras) e, é claro, se vangloriam da aparência: nós mulheres.

Muita gente (mamãe e papai), diz que é coisa da minha cabeça, impressão minha. Eu chamo isso de olhar-se no espelho, porém, uma pequena quantidade de gente (o resto do mundo), concorda com o pequeno (grande) fato de meu nariz ser feio! Digamos que feio seria um exagero, mas, na tabela dos narizes o meu não alcança a marca do ‘dá pro gasto’.


Mas enfim, problemas de auto-apreciação todo mundo tem, principalmente quando o fato de ser mulher triplica tudo e põe no lance de delta = b² - 4 . a . c, o importante é sabermos lidar com cada barreira em nossas vidas, principalmente quando ela fica na frente de nossos olhos. E eu, como mulher adulta que hoje sou, aprendi com o tempo a driblar o grandinho e ser feliz, e essa é a história e lição de vida de hoje, beijos.:)


Ok, é tudo mentira, eu sou uma cretina, infantil, isso sim. Nunca superei o fato de meu nariz ser como é (a parte do nariz grande não era mentira), e como toda mulher chata e tinhosa, vi que reclamar das proporções de meu querido cheirador de nada serviriam, então, entra ai o meu lado mulher de ser (amo isso).


Como esperado, criei um problema para ele. Na verdade eu tenho essa dificuldade de respirar, mas ficar roxa na frente do meu pai e desmaiar eram puro exagero. E lá fomos nós para o otorrinolaringologista. E é ai que começa o show dos horrores e o grande aprendizado do dia (sou mágica).


O médico era bonito, cinqüentão, certamente bem de vida, o que me levou a acreditar em suas meigas palavras de “Não vai doer” e “Só quero te conhecer melhor”, pena que o conhecer melhor dele era em minutos colocar um ferro de mais ou menos 30 c. com uma câmera na ponta pelo meu nariz adentro, e assim, é claro, conhecer meu interior (pena que precisei ser sedada com aqueles 2 algodãozinhos gelados na ponta do ferro, o que me impossibilitou a ter um orgasmo nasal).


Naquele momento nem lembrava mais a razão de estar ali, somente sabia que meu namoradinho curioso foi astuto e gravou toda nossa primeira relação narizal, e me fez ver o vídeo incessantemente (um pornô de nariz, praticamente).


Logo em seguida, quando achava que já estávamos no auge do amor, ele me surpreendera ainda mais querendo conversar (sonho de consumo de toda mulher, eu sei), nosso papo foi tranqüilo, quis saber se eu gostava de ursinhos e ao dizer que sim, me mandou exterminá-los, mas mandei passar pra próxima lição. Perguntou se eu tinha gatos, e ao dizer que sim, me mandou entregar meu bichano para alguém, e como esperado disse que não também e mandei passar para a próxima lição. Por fim, não tinha mais nada a se fazer, então me ofereci a não fazer mais nenhum trabalho doméstico em que envolvia limpeza de pó (ele disse que não fazia diferença, mas disso mamãe nem precisa saber).


Peguei minhas coisinhas, um papel que lembrava-me uma cirurgia que deveria fazer e me custaria uns 2 dobroes e meu coraçãozinho (já em pedaços) e sai da sala. Joguei o papel fora, afinal, se eu inventei o problema no início, eu que o terminasse agora da forma mais simples, fingindo não mais existir.


E assim, encerrei mais uma lição de vida da tia Fran.


Ame cada parte do seu corpo, até as ruins, antes que alguém precise penetrar fundo para você ver o quanto ela pode ser pior.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Minha adorável vida mortal 1.9


Hoje é meu aniversário, não que isso seja importante para alguém - a não ser se você for meu pai que sempre sai no prejuízo, ou minha mãe, a escrava branca que limpa tudo (mas isso não é só no meu aniversário, é claro). Mas enfim, não mandei serem serelepes e me botarem no mundo -.

Como toda boa Santo Amarense, - puta merda, não acredito que falei isso em público - sempre fui um tanto bicho-do-mato, para não dizer coisa pior. E, como toda matutinha que se preze, nunca gostei de festinhas no dia 12 de janeiro (a não ser que a festa de aniversário NÃO fosse minha, virar o centro das atenções em festas alheias me dá imenso prazer). Todavia, como toda amorosa mãe, a minha nunca deu a mínima para isso (afinal, que péssima mãe seria ela, perante as amigas fofoqueiras de portão, se não fizesse uma festinha para a filha mais nova, seria praticamente como me abandonar na roda dos expostos).


Então, em minha vasta e “alegre” vida de festinhas, trago na memória experiências fantásticas, como nos meus 7 aninhos, que trouxera o tema do Flamengo. Bolo com escudo, balõezinhos com urubus. Estaria tudo perfeito, se não houvesse o pitoresco e sutil detalhe de eu NUNCA ter torcido pelo Flamengo, e sim, minha irmã mais velha que era fanática pelo time. Mas afinal, quem liga se eu sou Avaiana desde criancinha (se vier com a piadinha do “Todo mundo usa” te dou com uma tarrafa nas costas ô) e não Flamengo? Já que, ela tinha conseguido a decoração de graça do aniversário do meu primo, um mês antes (ainda bem que pelo menos não estava escrito JOÃO em cima do bolo) já tínhamos um ótimo motivo para o tema da festa.


Ps: Reparem a alegria da minha mãe, a cara de quem tolera tudo do meu pai, a inveja da minha irmã, a tristeza do meu primo, minha cara de "feliz forever" e só pra constar, tia, que cabelo é esse?


Também teve a famosa festinha dos 5 anos, dessa vez meu lado mocinha fora mais destacado, com o fofo tema da Barbie. Pena que o tal motivo fez com que minha querida coleção de bonecas tenha terminado numa piscina de glacê azul celeste, encima do bolo (foi 1 mês para limpar o cabelo de todas elas).


*seca as lágrimas*


Flash's da alegria.

Enfim, mais um dia 12 de janeiro chega, mais um ano de vida, e mais um trauma de infância superado (estou ficando boa nisso, lembrando desse dia [Eu pico, tu picas]). Hoje a Fran já é uma mocinha, pode passar das 20 horas na rua, e depois de tantos sacrifícios nestes 18 aniversários vividos, o décimo nono promete ser diferente, sem temas de futebol, nem bonecas. Apenas os velhos e bons amigos, e muita comida, é claro (afinal, papai e mamãe adoram gastar e limpar no fim de todo dia 12 de janeiro, que eu sei).

sábado, 3 de janeiro de 2009

Eu pico, tu picas.


Hoje relutei contra meu maior medo de infância.

Sempre tive o mesmo corte de cabelo. Até a cintura, sem cortes definidos, e uma franja pela altura do queixo. Resumindo, sempre fui mal cuidada, esquisita, uma mendiga. Assim como toda criança boba e remelenta, a Fran sempre teve medo da tia do salão de beleza, talvez pelo fato de a natureza ter lhe dado um cabelo de leão e ela ter o dom de cuidar dele igual o FHC tinha o de cuidar do Brasil, ou simplesmente porque sabia que ela não gostava da Fran por achar bagunceira demais.

Mas o que importa é que no início do ano passado, devido a uma decepção amorosa (ser mulher às vezes me dá nojo) a Fran resolveu derrubar o pau da barraca, rodar a baiana, se jogar na rodovia, enfim, bateu os 5 minutos e, a medrosinha remelenta, entrou com pose de macho dos bravos no tão temido salão. Na verdade, a Fran entrou lá só com a intenção de pintar as unhas da mão de vermelho - já que a temida tentativa em casa sempre daria em gritos, palavrões e gatos voando – mas desta vez foi diferente.

Como já dá para imaginar - na verdade não dá, já que eu mesma não acredito até hoje – a Fran fez tudo aquilo que falou no parágrafo acima e resolveu assustar a todos – inclusive o espelho – e pediu igual um velho bêbado no bar.

- Ô sua piranha, corta tudo e passa a máquina, agora.

Tá, o grau de machesa da Fran ainda não chegou ai, digamos que ela está no nível 5 na tabela dos coça sacos. Mas o que importa é que pediu pra tia cortar o cabelão todo no tamanho da franja, e a franja, coitada, essa descobriu o que era uma boa picada (não podia perder a piada, err). E, assim a Fran tem vivido sua vidinha, um dia pica na frente, n’outro pica atrás, e pela tesoura se apaixonou (Love Store).

Mas hoje, ah, hoje eu estou orgulhosa da Fran. Porque hoje mais uma etapa em sua vida foi ultrapassada, diria que na tabelinha dos barrigudos alcoólatras ela passou da linha do 7, praticamente já pode ter até barba. Resolveu conhecer novos ares, temidos não só por poder sair de lá careca – ou pior, o Rei Leão urbano – mas principalmente temendo pagar mais do que o normal pelo simples trabalho de uma picada em sua vida (desculpe, mas o trocadilho é muito bom). Ao por os pés no salão debate-se com uma TV de plasma com DVD, olha pro lado e vê ar-condicionado (caralho, nem em casa tenho isso). Para, respira, para de novo e pensa.

- Caralho, lá vai eu gastar o muito, do pouco que não tenho.

Sabe quando te bate aqueles 5 segundos que você pensa, ou fico e encaro na raça, ou saiu correndo e nunca mais passo aqui na frente, embora seja minha própria rua. Pois é, a Fran pensou foi em sair correndo (óbvio, sou um rato e não uma mulher), mas antes que suas perninhas pudessem se mover a tia que ela nem conhecera chama seu nome, e lá vai ela pra cadeira da morte, digo, do salão.

Graças ao bom Deus, até que nessa luta a Fran se deu bem, nem o preço foi alto (a cabeleireira é rica por prostituição, só pode), e nem seu cabelo ficou alá Tony Tornado.

Pelo menos uma lição ela levou pra casa, na guerra contra o espelho, você tem a chance de quebrá-lo antes que ele mesmo se autodestrua.


Ps: Não sei porque escrevi em terceira pessoa. A esquizofrenia piora a cada dia.