segunda-feira, 21 de junho de 2010

A caixinha de música que guardava duas bailarinas


Futucando bem todo mundo tem piolho ou tem cheiro de creolina, todo mundo tem um irmão meio zarolho só a bailarina que não tem. Nem unha encardida, nem dente com comida, nem casca de ferida ela não tem. Dizia Chico em versos cantados ao lembrar da doce personagem que conhecemos dos palcos. Sempre tão distante da realidade que vivemos a bailarina é o potencial de toda pureza, beleza e delicadeza que possamos imaginar. Entretanto, duas jovens senhorinhas que vivem todas as realidades imagináveis trazem para o balé um “quê” de verdade.

Beatriz e Bianca são raridades literalmente, irmãs gêmeas idênticas daquelas que confundem a mãe, o pai, os irmãos, menos namorados, isso não pode. Por falar em namorados, falamos deles baixinho, o pai é ciumento e a mãe pede para namorarem escondidinho. As adolescentes de 17 anos são idênticas de rosto, de dança e de sonho, afinal, quem tira da cabeça de uma bailarina que seu futuro será de dançar, brincar com o corpo no palco, brilhar?

A arte veio cedo, junto dela a fé. Dentro da igreja Presbiteriana nossas bailarinas encontraram a dança, de saltos e coreografias as irmãs chamavam a atenção da comunidade que passou a entrar na igreja para com elas aprender a coreografar. A família que da fé já tinha recebido provas, quando muito cedo ganhara uma casa em um sorteio seguiu os paços delicados das meninas, foram todos conhecer a nova religião e lá ficaram. Gêmeas sapecas, da dança fizeram fé.

Conhecendo bem lá no fundo de uma conversa se enxerga a bailarina de uma vida. Talvez um pouco cansada, ou quem sabe apaixonada, mas essa fase sempre se tem. Uma vida mais sofrida, às vezes precisando de uma rifa, essa vida a bailarina também tem. Conhecendo bem lá no fim de uma conversa, você encontra a bailarina que o Chico não viu, aquela que estuda e acorda bem cedinho, lava a louça rapidinho e ajeita a casa num segundo pra criar coreografias que só ela tem. Beatriz e Bianca são bailarinas da vida, acreditam na dança de rua, e bailarina assim vive também.

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