quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Festa no ap.



Socorro, minha casa está cheia, e quem fica sem casa sou eu.


Hoje mamãe resolveu dar uma festinha para as amigas do trabalho. Ela, agora no período de férias foi convidada para fazer a festa em sua própria casa para as amigas (que só trouxeram a cerveja, muita cerveja, diga-se de passagem) e a comida sobrou para eu (mucama) e minha mãe fazer durante o dia todo.


São 22h17min da noite e minha cabeça já não aguenta mais (esse povo quanto mais velho, mais bebe e quanto mais bebe, mais tempo aguenta acordado, e quanto mais tempo acordado, mais fala alto), nessas 3 horas que o pessoal está aqui, já falaram do meu cabelo, tatuagens, faculdade, roupa e o mais importante, por que, que eu sempre estou de tênis e não de salto alto? É sempre assim, a festa é de mamãe e o assunto é o monstrinho que ela criou em casa e chama de filha. Mas ignorai-vos, eles não sabem o que falam (odeio gente quadrada, mesmo), e eu bem que gosto de virar uma das atrações.


Por falar em idade, descubro que o problema não são somente os adultos, ao procurar a pureza da resposta das crianças, escuto em bom som um “seu idiota, vai tomar no cu”. Três pirralhos, com cerca de 6/8 anos, gritando, brigando, mentindo, reclamando e ao mandá-los parar, levo uma pedrada (na verdade era só uma pedrinha, mas o que vale é a intenção do animalsinho doméstico). Socorro, alguém se esqueceu de aprender o sentido da palavra EDUCAÇÃO? Que tal todos nós irmos para um zoológico de vez e aprender um pouco de obediência com os seres "irracionais"? Talvez até saímos de lá aprendendo a não jogar lixo no chão (sim, tive que catar o lixo no chão pelos cantos de casa antes de dormir, lá pelas 4 da madrugada). Não sei se fico brava com a criança, ou a mãe, que boa coisa também não deve ser.


Enfim, festinha é sempre aquela delicia mesmo, gritos, risos, copos quebrados, e a Fran com raiva, afinal, sabe que ninguém vai lembrar de arrumar tudo, simplesmente se vão.


Fico por aqui, não consigo construir uma frase com essa gritaria toda, bem feito pra mim, tenho cerveja em casa, comida, e meus pais bebados, e fico aqui, sentada no computador fazendo minhas queixas. Acho que entre as crianças atiradoras de pedra, e as velhas bêbadas, prefiro ficar no bloco do eu sozinho, sentada bebendo, esperando a hora de dormir. Sem pedras, tomadas no cu, e essas coisas que acontecem em festinhas caseiras, só tiro dessa noite a lembrança de que o maior defeito das crianças, além de não beberem o bastante, é que quase sempre estão acompanhadas por adultos.


[cada dia que passa escrevo pior, socorro .-.]


segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Tu penetra, e eu vejo estrelinhas.


Nunca gostei do meu nariz.


Francielle, 19 anos, catarinense, mulher, Pi Pi Pi Pi... Apita o rastreador de seres que detestam, falam mal (da sua e de outras) e, é claro, se vangloriam da aparência: nós mulheres.

Muita gente (mamãe e papai), diz que é coisa da minha cabeça, impressão minha. Eu chamo isso de olhar-se no espelho, porém, uma pequena quantidade de gente (o resto do mundo), concorda com o pequeno (grande) fato de meu nariz ser feio! Digamos que feio seria um exagero, mas, na tabela dos narizes o meu não alcança a marca do ‘dá pro gasto’.


Mas enfim, problemas de auto-apreciação todo mundo tem, principalmente quando o fato de ser mulher triplica tudo e põe no lance de delta = b² - 4 . a . c, o importante é sabermos lidar com cada barreira em nossas vidas, principalmente quando ela fica na frente de nossos olhos. E eu, como mulher adulta que hoje sou, aprendi com o tempo a driblar o grandinho e ser feliz, e essa é a história e lição de vida de hoje, beijos.:)


Ok, é tudo mentira, eu sou uma cretina, infantil, isso sim. Nunca superei o fato de meu nariz ser como é (a parte do nariz grande não era mentira), e como toda mulher chata e tinhosa, vi que reclamar das proporções de meu querido cheirador de nada serviriam, então, entra ai o meu lado mulher de ser (amo isso).


Como esperado, criei um problema para ele. Na verdade eu tenho essa dificuldade de respirar, mas ficar roxa na frente do meu pai e desmaiar eram puro exagero. E lá fomos nós para o otorrinolaringologista. E é ai que começa o show dos horrores e o grande aprendizado do dia (sou mágica).


O médico era bonito, cinqüentão, certamente bem de vida, o que me levou a acreditar em suas meigas palavras de “Não vai doer” e “Só quero te conhecer melhor”, pena que o conhecer melhor dele era em minutos colocar um ferro de mais ou menos 30 c. com uma câmera na ponta pelo meu nariz adentro, e assim, é claro, conhecer meu interior (pena que precisei ser sedada com aqueles 2 algodãozinhos gelados na ponta do ferro, o que me impossibilitou a ter um orgasmo nasal).


Naquele momento nem lembrava mais a razão de estar ali, somente sabia que meu namoradinho curioso foi astuto e gravou toda nossa primeira relação narizal, e me fez ver o vídeo incessantemente (um pornô de nariz, praticamente).


Logo em seguida, quando achava que já estávamos no auge do amor, ele me surpreendera ainda mais querendo conversar (sonho de consumo de toda mulher, eu sei), nosso papo foi tranqüilo, quis saber se eu gostava de ursinhos e ao dizer que sim, me mandou exterminá-los, mas mandei passar pra próxima lição. Perguntou se eu tinha gatos, e ao dizer que sim, me mandou entregar meu bichano para alguém, e como esperado disse que não também e mandei passar para a próxima lição. Por fim, não tinha mais nada a se fazer, então me ofereci a não fazer mais nenhum trabalho doméstico em que envolvia limpeza de pó (ele disse que não fazia diferença, mas disso mamãe nem precisa saber).


Peguei minhas coisinhas, um papel que lembrava-me uma cirurgia que deveria fazer e me custaria uns 2 dobroes e meu coraçãozinho (já em pedaços) e sai da sala. Joguei o papel fora, afinal, se eu inventei o problema no início, eu que o terminasse agora da forma mais simples, fingindo não mais existir.


E assim, encerrei mais uma lição de vida da tia Fran.


Ame cada parte do seu corpo, até as ruins, antes que alguém precise penetrar fundo para você ver o quanto ela pode ser pior.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Minha adorável vida mortal 1.9


Hoje é meu aniversário, não que isso seja importante para alguém - a não ser se você for meu pai que sempre sai no prejuízo, ou minha mãe, a escrava branca que limpa tudo (mas isso não é só no meu aniversário, é claro). Mas enfim, não mandei serem serelepes e me botarem no mundo -.

Como toda boa Santo Amarense, - puta merda, não acredito que falei isso em público - sempre fui um tanto bicho-do-mato, para não dizer coisa pior. E, como toda matutinha que se preze, nunca gostei de festinhas no dia 12 de janeiro (a não ser que a festa de aniversário NÃO fosse minha, virar o centro das atenções em festas alheias me dá imenso prazer). Todavia, como toda amorosa mãe, a minha nunca deu a mínima para isso (afinal, que péssima mãe seria ela, perante as amigas fofoqueiras de portão, se não fizesse uma festinha para a filha mais nova, seria praticamente como me abandonar na roda dos expostos).


Então, em minha vasta e “alegre” vida de festinhas, trago na memória experiências fantásticas, como nos meus 7 aninhos, que trouxera o tema do Flamengo. Bolo com escudo, balõezinhos com urubus. Estaria tudo perfeito, se não houvesse o pitoresco e sutil detalhe de eu NUNCA ter torcido pelo Flamengo, e sim, minha irmã mais velha que era fanática pelo time. Mas afinal, quem liga se eu sou Avaiana desde criancinha (se vier com a piadinha do “Todo mundo usa” te dou com uma tarrafa nas costas ô) e não Flamengo? Já que, ela tinha conseguido a decoração de graça do aniversário do meu primo, um mês antes (ainda bem que pelo menos não estava escrito JOÃO em cima do bolo) já tínhamos um ótimo motivo para o tema da festa.


Ps: Reparem a alegria da minha mãe, a cara de quem tolera tudo do meu pai, a inveja da minha irmã, a tristeza do meu primo, minha cara de "feliz forever" e só pra constar, tia, que cabelo é esse?


Também teve a famosa festinha dos 5 anos, dessa vez meu lado mocinha fora mais destacado, com o fofo tema da Barbie. Pena que o tal motivo fez com que minha querida coleção de bonecas tenha terminado numa piscina de glacê azul celeste, encima do bolo (foi 1 mês para limpar o cabelo de todas elas).


*seca as lágrimas*


Flash's da alegria.

Enfim, mais um dia 12 de janeiro chega, mais um ano de vida, e mais um trauma de infância superado (estou ficando boa nisso, lembrando desse dia [Eu pico, tu picas]). Hoje a Fran já é uma mocinha, pode passar das 20 horas na rua, e depois de tantos sacrifícios nestes 18 aniversários vividos, o décimo nono promete ser diferente, sem temas de futebol, nem bonecas. Apenas os velhos e bons amigos, e muita comida, é claro (afinal, papai e mamãe adoram gastar e limpar no fim de todo dia 12 de janeiro, que eu sei).

sábado, 3 de janeiro de 2009

Eu pico, tu picas.


Hoje relutei contra meu maior medo de infância.

Sempre tive o mesmo corte de cabelo. Até a cintura, sem cortes definidos, e uma franja pela altura do queixo. Resumindo, sempre fui mal cuidada, esquisita, uma mendiga. Assim como toda criança boba e remelenta, a Fran sempre teve medo da tia do salão de beleza, talvez pelo fato de a natureza ter lhe dado um cabelo de leão e ela ter o dom de cuidar dele igual o FHC tinha o de cuidar do Brasil, ou simplesmente porque sabia que ela não gostava da Fran por achar bagunceira demais.

Mas o que importa é que no início do ano passado, devido a uma decepção amorosa (ser mulher às vezes me dá nojo) a Fran resolveu derrubar o pau da barraca, rodar a baiana, se jogar na rodovia, enfim, bateu os 5 minutos e, a medrosinha remelenta, entrou com pose de macho dos bravos no tão temido salão. Na verdade, a Fran entrou lá só com a intenção de pintar as unhas da mão de vermelho - já que a temida tentativa em casa sempre daria em gritos, palavrões e gatos voando – mas desta vez foi diferente.

Como já dá para imaginar - na verdade não dá, já que eu mesma não acredito até hoje – a Fran fez tudo aquilo que falou no parágrafo acima e resolveu assustar a todos – inclusive o espelho – e pediu igual um velho bêbado no bar.

- Ô sua piranha, corta tudo e passa a máquina, agora.

Tá, o grau de machesa da Fran ainda não chegou ai, digamos que ela está no nível 5 na tabela dos coça sacos. Mas o que importa é que pediu pra tia cortar o cabelão todo no tamanho da franja, e a franja, coitada, essa descobriu o que era uma boa picada (não podia perder a piada, err). E, assim a Fran tem vivido sua vidinha, um dia pica na frente, n’outro pica atrás, e pela tesoura se apaixonou (Love Store).

Mas hoje, ah, hoje eu estou orgulhosa da Fran. Porque hoje mais uma etapa em sua vida foi ultrapassada, diria que na tabelinha dos barrigudos alcoólatras ela passou da linha do 7, praticamente já pode ter até barba. Resolveu conhecer novos ares, temidos não só por poder sair de lá careca – ou pior, o Rei Leão urbano – mas principalmente temendo pagar mais do que o normal pelo simples trabalho de uma picada em sua vida (desculpe, mas o trocadilho é muito bom). Ao por os pés no salão debate-se com uma TV de plasma com DVD, olha pro lado e vê ar-condicionado (caralho, nem em casa tenho isso). Para, respira, para de novo e pensa.

- Caralho, lá vai eu gastar o muito, do pouco que não tenho.

Sabe quando te bate aqueles 5 segundos que você pensa, ou fico e encaro na raça, ou saiu correndo e nunca mais passo aqui na frente, embora seja minha própria rua. Pois é, a Fran pensou foi em sair correndo (óbvio, sou um rato e não uma mulher), mas antes que suas perninhas pudessem se mover a tia que ela nem conhecera chama seu nome, e lá vai ela pra cadeira da morte, digo, do salão.

Graças ao bom Deus, até que nessa luta a Fran se deu bem, nem o preço foi alto (a cabeleireira é rica por prostituição, só pode), e nem seu cabelo ficou alá Tony Tornado.

Pelo menos uma lição ela levou pra casa, na guerra contra o espelho, você tem a chance de quebrá-lo antes que ele mesmo se autodestrua.


Ps: Não sei porque escrevi em terceira pessoa. A esquizofrenia piora a cada dia.