quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

A mulher da boca de ferro.


Hoje, é hoje. Lá vai eu gastar a grana que poderia comprar alguma besteira com aquela psicopata.

E é assim todo dia 5 de cada mês, a Fran indo para a dentista. Aquela sensação de mínima vontade completada pelo temor do não fazer a mínima idéia do que vai acontecer naquele período mínimo de meia horinha dentro daquela maldita sala, em que o mínimo que pode acontecer é eu sair xingando dela.

Mas dessa última vez em especial não foi diferente, na verdade foi a pior das piores, o show de horrores, a portinha que saia um gorila do Serginho Malandro. Foi o dia em que eu pus o “último fio”. Ah, o último fio é o mais temido por toda classe de aparelhados – pode ter certeza – já que se cada vez que você aumenta a grossura dele é uma torturinha dos infernos, esta que se põe como última provavelmente deve-se a classe da mãe das dores, da senhora Cruela dos fios de aparelho. E foi assim que aconteceu.

Na verdade a dor/pressão/força da dentista/puta que pariu aparentava fazer o dito cujo mais grosso do que realmente de fato é, quando olhei no espelho deu até raiva para ser sincera.

“O que? Eu choramingando por uma porcariasinha dessa? Aff, que mulhersinha!”

Mas, o pior foi lembrar que pela primeira vez na vida eu NÃO ESTAVA EXAGERANDO ou fazendo manha - como de hábito-, já que ao sair da sala vejo três luvas rasgadas no chão que se desmilinguiram dentro da minha boca cheia de ferros, e minha bochecha com manchas de sangue de uma mínima meia horinha dos terrores, na maca com dentinhos sorridentes do prédio central da cidade.

Obs. Ainda bem que a Fran já está acostumada com os dias 5 de cada mês, e passou na farmácia antes e está com seu kit primeiro socorros em casa.



segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Olê Olá


Não que eu seja adepta de vingança, ou seja, tomada de puro rancor, mas dia 08 de dezembro foi um dia que pus olho gordo no Figueirense MESMO. Não que ele precisa-se do meu pobre olhinho gordo para ser rebaixado, mas nestas horas festivas para nós Avaianos da Ressacada é meio que impossível não ficar de olho para sentir-se então recompensado com a péssima condição que o time adversário jogou pelo decorrer deste ano e por falcatruas passadas – que deixarei de lado neste ‘desabafo’-.

Ah, o ano de 2008 visto do lado de cá foi mais feliz, tão mais emocionante. Aparentemente comum como todos os outros anos no quesito torcida, estávamos lá fiéis, torcendo e cantando pelo Leão. Mas a glória sempre chega e o merecimento do jogo limpo também, tarda, mas não falha, e a força azurra da ilha o belo presente de natal nos deu.

Sem mais delicadezas, muito menos poupando palavras que possam vir a magoar quem for, hoje, amanhã e depois eu grito alto, forte e com amor a consagração de quem sempre batalhou, torceu pelo jogo limpo e bonito do time amado.

“Olê, olê, olê Olá... é o FiGAYra na série B e o Avai na série A.”

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Meu rico dinheirinho.

Hoje me senti uma fracassada.


Bem, digamos que minha vida nunca foi muito agitada, e pelo mesmo motivo nunca fui de andar muito pela rua - ok, ok sou anti-social as vezes, mas quem não é? - lembro como se fosse hoje que meu primeiro passeio de ônibus sozinha, sem meus pais ou algum responsável ao lado foi com 15 ou 16 anos, quando já namorava, e ai sim, vi um motivo concreto pra andar nesta geringonça - ok, ok também fui muito mimada, mas quem nunca foi? – e desde sempre o que mais me incomodava eram crianças na rua pedindo dinheiro para o pai ou mãe que não tinham emprego. Acho que nunca tive tanta aversão a algo mais do que ver as tais crianças, confesso que muitas das vezes (todas) 90% do motivo era/é porque sou uma baita duma mão fechada que se entrasse no mar com uma aspirina na mão sairia dele com ela intacta, sequinha. E os outros 10% eu daria para minha raiva de saber que estava sendo ruim em não bancar uma de madre Tereza de Calcutá da vida, mas era assim, mesmo tendo como único motivo minha pura casquinharia eu não conseguiria jamais dar umas moedinhas que fossem para alguém que não fosse me devolver depois.

Até que um dia meu mundo clareou – lembro até hoje do som dos sininhos da igreja a tocar e um coral de criancinhas pobres a cantar (e as que me pediam dinheiro nem estavam lá, para completar tal satisfação) – eu, já quase mocinha com meus 12 ou 13 anos vi na praça da minha cidade uma placa dizendo:

‘ Não dê dinheiro para mendigos, não financie o comodismo. ‘

Ah, me senti tão leve, tão pura. Agora eu que até então era um ser ruim das trevas tinha um motivo concreto para não doar minhas moedinhas, e o motivo estava ali, para qualquer um ver. E pela primeira vez eu me senti aliviada com meus ideais (e minha mesadinha).

Mas enfim, o foco do meu texto de hoje começa especificamente aqui. Depois do ocorrido da tal plaquinha, por anos e anos nunca mais fui parada na rua por nenhum pivete com papeizinhos ou o que seja que seu pai em casa tenha o dado. E isso me trouxe a esperança, e cegamente me fez acreditar que pelo fato de eu ter um motivo concreto de não dar mais as moedinhas, o resto da população também enxergou a bendita placa e assim como eu, ao ver uma criança guardava suas migalhas para quem sabe comprar um pão ou cafezinho mais tarde. Assim, sem as minhas moedinhas (que nunca virão nem a cor) e as de todos de minha pequena cidade, todos os pais do mundo resolveram trabalhar honestamente e como toda bela história, colocaram seus filhos - agora não mais pedintes e sem aquelas roupinhas rasgadas – na tão querida escolinha do bairro.

Mas hoje, no ponto de ônibus para vir estagiar e estudar na faculdade (as coisas mudam meu caro, hoje ando no mínimo com 4 ônibus todos os dias, estudo e trabalho – não que isso seja um orgulho para alguém - mas prova que algumas coisas mudam, menos minha aversão para dar dinheiro na rua, é claro), vejo algo que me tira o chão.

Três crianças (provavelmente irmãos) e com as tais roupas rasgadinhas e sujinhas me param e entregam um papelzinho velho rabiscado de seu pai, que com educação no bilhete me pedira dinheiro. Não pode ser, como que eles se atrevem a acabar com o meu mundo cor de rosa? Eles não deveriam estar na escola a essa hora?

Foi ai que eu, que junto com a resposta “ – Desculpe, não tenho dinheiro. “ vi que esse tempo todo em que essas crianças não me pediram grana na rua, foi questão de não esbarrar comigo, e não que neste horário estivessem estudando ou coisa do tipo. Vi que a minha desculpa esfarrapada de não ter dinheiro não enganava nem mais a mim, quem dirá enganaria aquelas crianças que me chamaram de idiota, e daquele ponto saíram de canto.

Hoje, me sinto fracassada, e sem ironias ou piadinhas bestas, assumo não saber o que fazer ao ver mas uma criança daquela, ou uma placa me pedindo para guardar meu dinheiro e seguir em frente.