quarta-feira, 12 de novembro de 2008

“Você votaria em um presidente negro?”


Aparentemente simples e de fácil resposta para uma pessoa que se julgue inicialmente sem preconceitos, foi a pergunta que fiz a seu Jairo, o responsável pelo fretamento da Jotur e dona Neuza, empresária aqui da Unisul.
Tranqüilos disseram-me que sim, e nomes como Pelé, o rei ou até um desconhecido que prove honestidade e bom caráter seria voto garantido pelos dois nas urnas. Todavia quando me prolongo na conversa, já com mais intimidade questiono de canto:
- Então tu não tens preconceitos?
Rápidos e certeiros ouço um respeitoso NÃO de ambos.
- Mas e as outras pessoas o tem?
E com a mesma rápida e certeira precisão ouço um SIM entristecido.
Com tantas certezas quem se confunde sou eu, que ao ler para seu Jairo que segundo o IBGE 58% dos brancos trabalham com carteira assinada e somente 41% dos negros a possuem sou atrapalhada pelo próprio senhor que tenta esclarecer-me dizendo:
- Ah, é que no Brasil tem mais brancos do que neguinhos minha filha.
- Patavinas, como pode ter mais brancos seu Jairo, se o tal IBGE também diz que os tais neguinhos tem 67% de chances a mais de mortalidade do que branquelos feito eu e o senhor?
Batendo de leve em meu ombro, com tentativa de esclarecer minha cabeça que neste instante já se enoza por completo, e tiozinho do fretado finaliza...
- É que ‘eles’ sempre estão no meio da bagunça, daí morrem e viram estatísticas.
Com um sorriso amarelo na boca pego meu caderno, caneta e aquela folha que trouxera da sala de aula cheia de estatísticas, retirando-me da sala quentinha e com TV em que seu Jairo trabalhara.
Repleta de idéias e atordoada de estatísticas fica eu com a pergunta talvez nem tão ingênua na cabeça, que agora no meio de um turbilhão se pergunta:
- E eu, votaria num presidente negro?